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.: Químicos de todo o País discutem seus problemas em Lagoa Santa

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Lagoa Santa (MG) sediou de 29 a 30 de maio o Encontro Nacional dos Setores Químicos, reunindo entidades sindicais nos segmentos industriais do ramo químico, nos segmentos químicos, papeleiro, borracha, etanol, plástico, farmacêutico, abrasivos, fertilizantes, instrumentos musicais e brinquedos, entre outros, tendo como tema principal o processo de desindustrialização e a política de incentivos do governo federal ao empresariado sem nenhuma contrapartida para os trabalhadores. O evento foi patrocinado pela Secretaria Nacional dos Setores Químicos da Força Sindical (SNQ),  Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Químico,  Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias Químicas, Plásticas e Farmaceuticas de Belo Horizonte e Região (Sindluta) e Federação dos Químicos do Estado de São Paulo (Fequinfar)., com participação do Dieese.

Perfil e entraves do setor químico do Brasil

A indústria química brasileira, que se encontra em sexto lugar no mundo, com faturamento de US$162 bilhões, atrás da Coréia, Alemanha, Japão, EUA e China. De acordo com o Dieese, no Brasil, a indústria química gera 760 mil empregos e representa 10% do PIB industrial, 2,6% do PIB nacional, sendo o quarto maior setor no PIB industrial (dados de 2013).

Ainda assim, o setor enfrenta sérios problemas estruturais, visto que nos últimos anos, o déficit em produtos químicos cresceu 160,8%. Em 1990, o déficit de produtos químicos foi de US$ 1,2 bilhão, já em 2013, atingiu o recorde histórico de US$ 32 bilhões. Isso porque os produtos químicos tiveram um peso de 19% no total das importações de mercadorias pelo Brasil e de 6% no total exportado.

Por isso, a agenda curto prazo do Plano Brasil Maior para a indústria química inclui a desoneração de matérias-primas de R$ 2,182 bilhões em 2014 e R$ 2,421 em 2015.

Contudo, quem mais sofre os problemas do setor é a classe trabalhadora, que possui pisos salariais baixos e mesmo assim não são respeitados; isso principalmente nas cidades de interior. Isso faz com que a rotatividade nas indústrias químicas seja alta. Segundo dados do Dieese, de 2007 a 2012, houve um aumento de 10,69% nos desligamentos sem justa causa e uma redução de 3,14% nos términos de contrato. No mesmo período, os desligamentos a pedido do trabalhador cresceram 41,26%.

Além disso, outro problema é a falta de qualificação profissional dos trabalhadores do setor. Dados do Dieese revelam que apenas 59% dos trabalhadores ativos possuem ensino médio e entre os trabalhadores desligados, o índice é de 46,9%.

Outros pontos discutidos dentro da pauta trabalhista foram a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e o combate a toda forma de precarização das relações de trabalho.

AVALIAÇÕES DOS PARTICIPANTES

“Esse encontro em Minas Gerais é um marco muito importante na luta dos trabalhadores do setor químico em defesa da própria cadeia produtiva do ramo industrial químico”, salientou Vandeir Messias Alves, presidente do Sindluta.

“Nossa discussão prioriza as necessidades dos trabalhadores e trabalhadoras dos setores químicos, em defesa do emprego, saúde, segurança, e ampliação direitos e benefícios em todas as regiões do Brasil”, avaliou Herbert Passos Filho, secretário geral da SNQ.

“Frente às dificuldades enfrentadas e os avanços conquistados pela categoria química no Brasil, referendamos nossa união de esforças na luta pela valorização do trabalho no ramo químico, pela unificação de direitos e conquistas, em contribuição ao próprio desenvolvimento econômico e sócial da nação”, colocou Antônio Silvan de Oliveira, presidente da CNTQ.

“Somos testemunhas de diversos benefícios, proporcionados pelo governo, a grande parte do empresariado, seja em relação a medidas como a desoneração das folhas de pagamento, na redução de tarifas elétricas, que entre outras, possibilitaram um aporte respeitável, mas que foram tomadas sem qualquer tipo de participação dos representantes legais da classe trabalhadora, e sem nenhuma contrapartida para a grande massa de trabalhadores. A atual situação do setor químico necessita de uma discussão mais concisa e uniforme, com a participação de todos os representantes da cadeia produtiva nacional, junto com as autoridades, em que se pese o desenvolvimento econômico e social da nação”, acrescentou Sergio Luiz Leite, 1º secretario da Força Sindical e presidente da Fequinfar. 


          

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